Parkour com K
Imagem destaque. O Felipe (PK Villa Lobos) observou uma barra de ferro corroída por ferrugem oferecendo risco aos transeuntes, inclusive aos traceurs que costumam treinar lá. A dica de segurança é: averiguem bem onde vocês treinam! Pode ter fios desencapados, buracos, cacos de vidro nos muros a serem escalados, pregos; alguns muros podem estar prontos pra despencar etc.
p.s.- a barra foi retirada
Le Parkour
Um esporte? Uma prática? Uma atividade? Um movimento? Muitos dos praticantes têm caracterizado o Le Parkour de acordo com a realidade de cada um, e o mais interessante é que como quer que seja "definido", pra muitos com quem conversei, é como religião hoje em dia: cada um tem a sua a respeita a do outro. Sob muitos mistérios no que diz respeito à adequação da filosofia Parkour, ainda assim o que se vê de mais proveitoso é o companheirismo, a não-competição de muitos e a solidariedade, sem contar o respeito, considerando que há brasilienses, cariocas, mineiros e curitibanos treinando com paulistas e vice-versa. E quando muitos deles vêm de mochilas de suas cidades e se instalam na casas de um cara que ele viu algumas vezes nos Encontros, ou, conversou algumas outras vezes no Msn? Arriscado? Que nada. O Le Parkour tem um curioso poder de unir pessoas de várias posições sócio-econômicas, "etno-intelectuais", etárias... num só ponto, num só propósito, onde esses pequenos detalhes nem são considerados. Maravilha. E no quesito solidariedade? Uma vez me aconteceu um fato - dentro vários que sempre acontecem dessa natureza - que me deu inspiração pra redigir esse texto: uma dia eu estava sem grana suficiente pra pegar o busão e comer alguma coisa e, sempre de costume, aos domingos ía no Ibirapuera visitá-los e continuar minhas pesquisas e tecer um ponto aqui, outro ali. Cheguei no Ibirapuera a pé. Cheguei meio tonto de fome e um pouco cansado, pois tinha andado do final da Paulista até o parque - não é muito pra quem está acostumado, mas sem almoçar... Sentei perto de uma árvore e perguntei se alguém tinha algo dentro da mochila pra eu comer. Um deles, com seus 16 anos, sacou uns salgadinhos e uns pães de queijo (que ele tinha guardado pra namorada) e meu deu. Até aí tudo bem, qualquer um com o mínimo de espírito solidário teria feito o mesmo. Porém, no final do dia, ainda na mesma situação financeira, pra ir embora resolvi pedir pra todos que estavam lá, menos ao que tinha matado minha fome, sei lá, fiquei envergonhado... Ninguém tinha sequer um puto. Foi quando pedi pro último cara uma passagem de ônibus, ele me ouviu pedindo e me disse que tinha, pra eu não me preocupar. Depois, longe de todos, sutilmente, ele colocou bem dobradinho no meu cachecol. Até assutei, pensei que era uma de suas brincadeiras, mas quando fui ver tinha doze reais. Segurei o dinheiro e perguntei pra ele por que ele tinha me dado quase seis vezes mais o que eu precisava? Respondeu: - "Pra você passar a semana". Aquilo me fez viajar no pensamento... E uma das coisas que pensei foi: como um cara pode se preocupar com uma pessoa daquele jeito? Fiquei estarrecido. Claro. Isso não significa que um adolescente não possa fazer isso, mas, pelo menos comigo, isso soou incomum. Daí, mais uma vez fui buscar as razões de estar pra lá de envolvido no Le Parkour... Eu que não pratico, me vejo fascinado pela prática e pelas amizades novas, imagine quem pratica então? É uma força sem explicação, só não vou lá quando não dá mesmo. É realmente uma família que cresce a cada treino, sempre tem gente nova querendo conhecer o Parkour. São pais trazendo seus filhos que viram algo na tv, no jornal, pra que eles experimentem esse "esporte diferente"; são casais de namorados que uma vez ficaram admirados com os movimentos dos traceurs e no outro dia foram tentar; são praticantes de alguma arte marcial, dança... que foram em busca de aprimoramento técnico. Enfim, o Le Parkour é como coração de mãe. Outra característica interessante que eu vejo nos traceurs (praticantes do Le Parkour) é a habilidade que muitos tinham mas não se davam conta. A didática, o senso de liderança, por exemploo. Observei várias vezes amigos traceurs passando seus conhecimentos ainda que poucos, porém, suficientes pra que seu "aprendiz" possa dar um ponta pé inicial nos movimentos básicos: um rolamento, uma precisão... Muitos deles nem sabem o quão talentosos são. E quando digo talento, não me refiro só em dar grandes vaults ou desenvolver grandes performances, mas também, em saber ouvir e passar para o interessado algo que ele possa desenvolver com segurança e disciplina. Além do mais destaco muitos outros pontos positivos na prática... em breve! Abraços, Bikoitinhus!
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